Oficina Vivencial
Parceria torna informática aliada na inclusão escolar de alunos com deficiência
O aluno Leonardo Neves terminou o ensino fundamental em 2008. Está cursando o ensino médio
Utilizar recursos e ferramentas de informática na inclusão de alunos com paralisia cerebral. Esse é o objetivo dos programas que são desenvolvidos pelos professores da Oficina Vivencial de Ajudas Técnicas para a Ação Educativa. Um espaço que integra o Centro de Referência em Educação Especial do Instituto Helena Antipoff, órgãos vinculado à Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro em parceria com o professor de engenharia eletrônica Paulo Lucio da Silva Aquino que trabalha no CEFET/RJ - Centro Federal de Educação Tecnológica Celso da Fonseca. A iniciativa beneficia alunos de toda rede municipal de ensino que tenham algum tipo de limitação motora, e que por intermédio de ferramentas de informática passam a ter a possibilidade de interagir na escola.
O projeto existe há 15 anos e foi criado para dar apoio ao professor e ao aluno da rede municipal de ensino do Rio. Maristela Conceição Siqueira é uma das professoras engajadas no programa e tem trabalhado para que a inclusão de alunos com deficiência tornasse realidade. "Dentro das necessidades do aluno nós procuramos alternativas para que ele possa freqüentar a escola. As adaptações são idealizadas para atender as necessidades de cada aluno", diz Maristela. Em função disso é desenvolvida uma série de ferramentas e adaptações: mouse, teclados e assionadores (ferramenta que possibilita a pessoa interagir com o computador tocando com o queixo ou qualquer outra parte do corpo assim executar a função que deseja), com o intuito de favorecer este aluno no processo de aprendizado, de comunicação, facilitando assim a inclusão no cotidiano da escola.
De acordo com Maristela, cerca de 15 mil alunos estão integrados na rede pública. Os alunos matriculados na rede municipal de ensino, seja em escola especial, em classe especial ou inserido em uma turma regular que tenham necessidade de algum tipo de adaptação ou ferramenta, conseguem viver de forma mais independente na sala de aula, seja para escrever ou para se comunicar. Ela diz ainda que as adaptações são elaboradas a partir da desejo desse aluno, de seu professor e da família.
Segundoa professoraprimeiro é feito um contado com o professor dessa criança para depois esse aluno ir até a oficina para vivenciar algumas situações do cotidiano escolar. A partir das observações dessas necessidades a equipe da oficina vai sugerir os recursos e adaptações que vão satisfazer essas necessidades. São adaptações no mobiliário escolar e recursos que vão favorecer esse aluno, dando autonomia e possibilitando assim uma maior interatividade entre ele, seus professores e colegas.
Maristela está no projeto há três anos, mas já trabalha como professora itinerante desde o inicio da criação das oficinas. Durante esses anos a professora ajudou e acompanhou o trabalho de inclusão de alunos com vários níveis de limitação física e que conseguiram concluir o ensino fundamental e hoje estão cursando o ensino médio fora da rede municipal. Um desses alunos é o Leonardo Neves, que por causa da paralisia cerebral se locomove por cadeira de rodas, tem dificuldade de fala bem acentuada e limitação motora. Segundo Maristela, Leonardo entrou na rede municipal com 7 anos de idade, em turma regular. O aluno foi alfabetizado por meio de várias adaptações criadas pela professora, sendo que a principal delas foi o uso de um teclado especial para que pudesse escrever na sala de aula. Hoje, Leonardo está com 20 anos e cursando o primeiro ano do ensino médio.
Dependendo do tipo de atividade a Oficina Vivencial, que além de Maristela ainda conta com as professoras Hilda Gomes e Janaina Larrate, realiza o atendimento de cerca de 10 crianças com limitações físicas por mês. Além disso, as professoras também prestam atendimento aos professores, orientando-os a melhor maneira de trabalharem com alunos com deficiência em suas salas de aula.
A Oficina Vivencial de Ajudas Técnicas para a Ação Educativa funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, na Rua Mata Machado, 15, no Maracanã. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone: (21) 2569-6806.
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Rosangela Pinheiro